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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dércio Marques, um dos bons!


Era um domingo desses, por volta de 1981 a 1984, em que eu aguardava ansioso o programa Som Brasil, transmitido pela Rede Globo e conduzido pelo cantador, compositor, ator, pesquisador cultural e diretor Rolando Boldrin, esse mesmo que hoje apresenta o programa de igual estilo na TV Cultura, o programa chamado Sr. Brasil, já citado algumas vezes nesse blog e também no meu outro blog Masmorra dos Dragões


Nesse domingo em questão, conheci um cantador que iria marcar de vez o meu gosto musical, seu nome? Dércio Marques, com sua voz única e seu dedilhado assombroso de bom ao violão, Dércio cantava as coisas de Minas Gerais, por isso era de fato um cantador. Através de sua obra vim a conhecer um grupo de músicos regionalistas, donos de uma musicalidade autentica e ímpar, como Doroty Marques (sua irmã), Diana Pequeno (sua esposa), Paulinho da Pedra Azul, Chico Maranhão, Elomar Figueira de Mello, Saulo Laranjeira, Xangai e Vital Farias, entre outros tantos.. uma turminha que preservava (e que graças a Deus, ainda preserva) a sua terra, a sua cultura e não caia (e não cai) nesses modismos impostos por essa tal baixa cultura midiática dos programas de rádios e TVs maçantes que nos ferem os tímpanos e a visão (pelo menos os meus!). 

Essa mesma mídia que com o passar dos anos anunciou esporadicamente a obra de Dércio e dos outros aqui citados, e que não fez (e não faz) o seu papel de divulgar a cultura em sua raiz, pelo simples fato de que ignora que esse também é o seu papel, não anunciou com o respeito merecido que Infelizmente Dércio Marques, esse músico com maneirismos calmos de quem caminha sobre nuvens, veio a falecer em 27 de julho último. Então Dércio entra para a lista daqueles que eu, em minha criminosa falta de tempo, venho a falar só depois de falecido, o quê me dói em toda a alma. 

Para quem não o conheceu, ainda há tempo (sempre há), só é preciso ter a boa vontade de fazê-lo e ter um gosto aguçado para as coisas simples da vida... mesclado ao prazer da boa pesquisa, para poder perceber a musicalidade desse grande artista, que como a maioria dos cantadores plenos, não tem aquela voz que se diga: “nossa que voz!”, já que o quê vale mesmo para os cantadores são suas melodias verdadeiras, que lembram a brisa do final de tarde e que veem acompanhada com aquele bom cheirinho de terra, com poesia de gosto puro de interior, e que nem por isso deixam (ou deixarão) de revelar as derrapadas de um país que não valoriza os seus artistas nativos de coração, alma e opção... 
 Resultado de imagem para Dércio Marques
Ainda bem que existem pessoas que se importam com o que a nossa terra produz. 

Viva Rolando Boldrim!!!...
Viva Enezita Barroso (Programa Viola, Minha Viola)!!!... 
Viva Lydio Roberto (Programa Terra Canção)!!!... 

E nos desculpe Dércio, pela indiferença que nossos meios de comunicação também tiveram em relação a sua morte. Que a sua obra sobreviva a essa indiferença e a "incultura" que muitos fazem questão de nos impor.

Links de sustentação:

Entrevista com Dércio Marques, no canal Youtube: Encontro de Culturas Tradicionais:
https://www.youtube.com/watch?v=ctnFkvau0Bc



A música quando boa, instrumental ou não, tem poesia.
E ai, só ai, que é cultura!
Abraços, sempre!!!...
Mu®illo diM@tto

2 comentários:

  1. Eu lembro bem daquela época. Também iniciei meu gosto musical justamente assistindo à esses programas: Som Brasil, TV Educativa, etc...Lembro do Décio tocando no Som Brasil. Anterior à isso já havia feito aquela parceria contigo no "Declives Caóticos" que ficou marcado até hoje para mim! Quanto ao que você disse à respeito da omissão da mídia atual em relação à essas obras primas da nossa música, literatura...pessoalmente acho que até certo ponto é bom, para a obra, pois fica uma coisa mais seletiva, depurada. Se você espalhar ouro pelo mundo inteiro (não é o nosso caso, nem pareço com o Eike) ele perderá o valor, com certeza. É preciso buscar, selecionar o que é bom, em tudo! Vai depender do objetivo de cada artista a forma como esperar-se-á os resultados provenientes de sua criatividade. Vivemos num capitalismo selvagem e covarde, e cada vez mais ficamos insensíveis às coisas do espírito. Certa vez Jesus Cristo foi perguntado sobre porque ele falava sempre por parábolas. Era justamente para àqueles que queriam realmente seguir o caminho do Evangelho, mesmo não entendendo de imediato eles buscariam e perseverariam nessa doutrina por se maravilharem nela. A colocação fácil e talvez vulgar da palavra, viria a deixar os ouvintes preguiçosos e não se aprofundariam no fundamento. Infelizmente quando se fala em multidão é sempre assim. Ainda continuamos a não saber a força que possuímos nessa sociedade consumista e mesquinha. O que é bom é e sempre será reconhecido por aqueles que realmente se interessam. Abraços!!!!

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  2. Esse é o grande amigo, parceiro e irmão , Antônio Coelho, violonista dos bons!!! Valeu Coelhão. Volte sempre...

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